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Em
1940, fui ao Japão para estudar. Embora estudante do curso primário,
como o país encontrava-se na época, asfixiado pelo militarismo, era
instituído como fundamento o Rescrito Imperial sobre a educação, a
disciplina rígida, o respeito pela etiqueta e o ambiente escolar tendo
como lema, a educação moral.
No
ginásio, avançando mais um passo, praticávamos o treinamento militar e
participávamos com alegria do trabalho de construção do aeroporto
militar, sacrificando as aulas. No meio do curso, consegui a aprovação
na Escola da Aeronáutica Militar, com a qual muito sonhava. Em breve,
estaria voando pelo céu azul-celeste como "Kamikase da Força Aérea de
Ataque Especial" e sob o estandarte do patriotismo, pretendia
dedicar-me de corpo e alma à Pátria e ao Imperador. O coração palpitava
fortemente.
Inesperadamente,
na manhã do dia 15/08/1945, em todo o território japonês, de ponta a
ponta, soou pelo rádio a voz da Sua Majestade o Imperador anunciando o
final da guerra. Naquele momento, o que surgiu na minha mente foi, "eu
e os 100 milhões de japoneses o que deveremos fazer doravante?" Estava
completamente atordoado e confuso, triste e aborrecido. Esses
acontecimentos conduzem a reflexão sobre, o que possibilitou a completa
lavagem cerebral de um simples brasileiro e criou no seu coração uma
enorme aspiração? Isso sem dúvida nenhuma teria sido resultado da
educação tradicional adotada na época, no Japão. Assim, se no Brasil,
que dispõe de um imenso território e fartura de recursos naturais,
fossem revistos uma vez mais os fundamentos da educação e se partisse
para as reformas necessárias de forma radical, estou convicto que uma
luz resplandecente o iluminaria com todo o fulgor, ampliando e florindo
ainda mais o caminho da sua prosperidade.
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